A origem da Festa Junina

A comemoração junina tal qual conhecemos atualmente tem sua origem no Egito Antigo. Conhecidas como Festa da Colheita tinham como principal objetivo celebrar o início da colheita, cultuando os deuses do sol e da fertilidade.

A concepção dessa comemoração continuou até a Idade Média, sendo comemorada no dia 25 de dezembro (calendário juliano), e celebrava-se o solstício de verão (a fertilidade da terra e as boas colheitas). Era, portanto, uma festa tradicionalmente pagã celebrada por gentios, acepção católica que significa: "1 - Quem segue o paganismo; 2 - Quê ou o que não é civilizado; 3- S. m. Pop. Grande porção de gente; (Dicionário Completo da Língua Portuguesa Folha da Tarde)". (1)


(, o Deus egípcio do Sol, representado na sua forma antropozoomórfica,
com corpo humano e a cabeça de um falcão coroado pelo disco solar.
Ao lado, Lughnasadh, o Deus céltico do Sol - Fonte: Internet)


Com o domínio da Igreja Católica, a Festa da Colheita foi cristianizada e rebatizada com o nome de "Festa de São João", passando-se então a festejar a imagem de São João Batista. Pregador judeu, São João viveu durante o século I. Além disso foi um profeta considerado pelos cristãos como o "precursor de Messias". Quem com ele confessava seus pecados era lavado no rio Jordão por São João Batista, na cerimônia do batismo.


(Estandarte de São João Batista, em comemoração à festa de São João Batista,
em São João do Sabugi, RN - Foto: João Quintino)


As Festas de São João ainda são comemoradas em alguns países católicos da Europa (como França, Portugal e Irlanda) e também em alguns países nórdicos e do Leste europeu. “Uma das primeiras festas, meio populares, meio de igreja de que nos falam as crônicas coloniais do Brasil é a de São João já com fogueiras e danças. Pois as funções deste popularíssimo santo são afrodisíacas; e ao seu culto se ligam até praticas e cantigas sensuais. É o santo casamenteiro por excelência. (...) As sortes que se fazem na noite ou na madrugada de São João, festejado a foguetes, busca-pés e vivas, visam no Brasil, como em Portugal, a união dos sexos, o casamento, o amor que se deseja e não se encontrou ainda. No Brasil faz-se a sorte da clara de ovo dentro do copo de água; a da espiga de milho que se deixa debaixo do travesseiro, para ver em sonho quem vem comê-la; a da faca que de noite se enterra até o cabo na bananeira para de manhã cedo decifrar-se sofregamente a mancha ou a nódoa na lâmina; a da bacia de água, a das agulhas, a do bochecho. Outros interesses de amor encontram proteção em Santo Antônio. Por exemplo, as afeições perdidas. Os noivos, maridos ou amantes desaparecidos. Os amores frios ou mortos. É um dos santos que mais encontramos associados às práticas de feitiçaria afrodisíaca no Brasil. É a imagem desse santo que freqüentemente se pendura de cabeça para baixo dentro da cacimba ou do poço para que atenda às promessas o mais breve possível. Os mais impacientes colocam-na dentro de urinóis velhos. São Gonçalo do Amarante presta-se a sem cerimônias ainda maiores. Ao seu culto é que se acham ligadas as práticas mais livres e sensuais. Atribuem-lhe a especialidade de arrumar marido ou amante para as velhas, como São Pedro a de casar as viúvas. Mas quase todos os amorosos recorrem a São Gonçalo”. (2)

As festas em comemoração a São João também são conhecidas como "joaninas". Segundo Frei Vicente do Salvador, um dos primeiros brasileiros a escrever a história de sua terra, já no ano de 1603 os índios acudiam a todos os festejos portugueses, em especial os de São João, por conta das fogueiras e capelas. Durante os festejos de São João (24 de Junho) são celebradas também as figuras de Santo Antônio (13 de Junho) e São Pedro (29 de Junho).


Os elementos da Festa Junina

A fogueira

(São 3 os formatos das fogueiras da Festa Junina: a primeira, quadrada,
em comemoração a Santo Antônio; a segunda, piramidal, celebra São Pedro;
a última, cônica, festeja São João - ilustração: O Globo)


O uso da fogueira muito provavelmente se deve em função das baixas temperaturas durante os últimos meses do ano em que se comemorava o solstício de verão. Atualmente, segundo a concepção católica que se fundou sobre as bases dessa celebração, a fogueira significa o anúncio do nascimento de João Batista, primo de Jesus, à Virgem Maria. "Como era noite e Isabel morava em uma colina, esta foi a forma encontrada para o aviso. Por este motivo, nas noites de junho são montadas fogueiras como forma de celebração. (...). No sertão, o batismo de João também é lembrado com banhos à meia-noite no rio mais próximo." (3)


Os balões e bandeiras

Este costume foi trazido pelos portugueses para o Brasil durante a colonização. Segundo a tradição popular - já sob influência católica - os fogos de artifício servem para despertar São João Batista. Em Portugal, pequenos papéis são atados no balão com desejos e pedidos. Os balões serviam para avisar que a festa iria começar e eram soltos de cinco a sete balões para se identificar o início da festa.


(Foto: Internet)


O mastro de São João

O levantamento do mastro de São João se dá no anoitecer da véspera do dia 24 de Junho. Carrega uma bandeira que pode ter dois formatos, em triângulo com a imagem dos três santos, São João, Santo Antônio e São Pedro; ou em forma de caixa, com apenas a figura de São João Batista. A bandeira é colocada no topo do mastro.


(Mastro com a figura de São João - Foto: autor desconhecido)


"O responsável pelo mastro, que é chamado de 'capitão' deve, juntamente com o 'alferes da bandeira', responsável pela mesma, sair da véspera do dia em direção ao local onde será levantado o mastro. Segundo a tradição, a bandeira deve ser colocada por uma criança que lembre as feições do santo. O levantamento é acompanhado pelos devotos e por um padre que realiza as orações e benze o mastro. Uma outra tradição muito comum é a lavagem do santo, que é feita por seu padrinho, um fiel que está pagando por alguma graça alcançada." (4)


A Quadrilha


("Dos à Dos - Accidents in Quadrille Dancing", por George Cruikshank, 1817 - Fonte: Wikipedia)


A quadrilha é de origem inglesa, mas teve seu apogeu na França, no século XVIII, recebendo o nome de Neitherse. Era uma dança de salão praticada pela aristocracia e burguesia. Foi introduzida no Brasil durante o período regencial (por volta de 1831).


(Uma das maiores comemorações da Festa Junina,
Campina Grande, PB - Foto: autor desconhecido)


"Na época da Regência a quadrilha era enorme sucesso no Rio de Janeiro, trazida por mestres de orquestras que tocavam músicas de Musard e Tolbecque, os 'pais' das quadrilhas. Foi adotada pelos compositores nacionais que lhe deram um 'sotaque' brasileiro. Assim disseminou-se por todo o Brasil e a partir dela apareceram muitas variações no interior do país, como a 'quadrilha caipira' no interior paulista, o 'baile sifilito', na Bahia e em Goiás, a 'saruê' (que dizem ser corruptela de soirée) do Brasil central e a 'mana-chica' (Pinho, 1942; Cascudo, 1969; Almeida, s/d). Atualmente só é executada nas festas juninas, das quais se tornou a música símbolo (Almeida, s/d)." (5)


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Fontes:
(1) "Gentio" (Wikipedia.org)

(2) FREIRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala. Ed Record, Rio de Janeiro, 1995.

(3) "Festa Junina" (Nordesteweb.com)

(4) Revista Santo do Dia

(5) "Festa Junina" (Aguaforte.com/antropologia)

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